Skip to main content

     O Sardoal dispõe de um património religioso pautado por uma monumentalidade rara e bela, e pela devoção das suas gentes. O cenário de fé e tradição é vivido num ambiente especial.

Procissão do Sr. da Misericórdia (ou dos Fogaréus)


Na Quinta-feira Santa, à noite, sai da Igreja da Misericórdia a Procissão do Senhor da Misericórdia ou “Procissão dos Fogaréus”, com o Sermão do Mandato na Igreja de Santa Maria da Caridade, a cargo da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia, cujos Irmãos, envergando opas negras, nela se integram.

Desde 1997 que, durante a procissão, a eletricidade da rede pública é desligada, sendo esta apenas iluminada pela luz de velas, archotes e lanternas, que permite aos participantes, situarem-se no tempo em que não existia iluminação pública na Vila de Sardoal.

A Vila prepara-se, especialmente para esta Procissão, iluminando com pequenas lanternas as janelas, varandas e muros ao longo do percurso.

A centenária Filarmónica União Sardoalense acompanha a Procissão, ao compasso das marchas fúnebres, o que confere um ambiente místico à procissão.

Os irmãos da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia envergam os painéis com imagens que representam cenas da Paixão de Cristo.

A Procissão dos Fogaréus existe desde tempos muito antigos. Foi em 1870 que esta tradição foi retomada com grande força e projeção, prevalecendo até hoje. De ano para ano, esta procissão é motivo de curiosidade de milhares de pessoas que visitam a vila nesta altura.

Festa do Senhor dos Remédios


     Celebra-se no 2º Domingo depois da Páscoa. Trata-se de uma antiga devoção das gentes do Sardoal e arredores, hoje um pouco esquecida. Segundo a tradição, a Imagem do Senhor dos Remédios esteve, inicialmente no interior do Convento de Santa Maria da Caridade, vindo depois a ser construída a Capela, do lado direito da Igreja de Santa Maria da Caridade, com entrada por debaixo da galilé.

Ao longo dos anos foi crescendo a devoção dos Sardoalenses no Senhor dos Remédios, que o invocavam em momentos de aflição, de tal forma que na Capela ainda se guardam algumas memórias (ex-votos) de curas milagrosas ou atendimento de preces. Ganhou, assim, grande tradição a sua festa, hoje reduzida a uma pálida expressão do que foi noutros tempos e, exclusivamente religiosa.

Tapetes de Flores


     Considerada única no país, a Semana Santa do Sardoal apresente todos os anos igrejas e capelas enfeitadas com pétalas de flores, verduras e outros acessórios, com temas simbólicos alusivos à Semana Santa e Páscoa.

Entre a Quinta-feira Santa e o Domingo de Páscoa grupos de moradores, várias entidades e associações colaboram na elaboração de tapetes de flores que são, depois, colocados no chão das Igrejas e Capelas da Vila (igreja da Misericórdia e Convento Santa Maria da Caridade e Capelas: Senhor dos Remédios, Sant'Ana, Santa Catarina, Nossa Senhora do Carmo, S. Sebastião e Espírito Santo).

     Recentemente, esta tradição foi estendida às Igrejas e Capelas das restantes localidades do concelho, sempre com grande dedicação por parte da população.

    

     A Santa Casa da Misericórdia de Sardoal também participa nesta tradição secular, promovendo a elaboração de um tapete de flores na Igreja de Santa Maria da Caridade, para o qual contribui o trabalho e dedicação dos utentes e colaboradores da isntituição.

Festas de Santa Maria da Caridade

     

As Festas de Santa Maria da Caridade tiveram início em 1924, por iniciativa da Mesa da Santa Casa da Misericórdia de Sardoal, tratando-se de um festejo cujo fim era o de arranjar receita para o Hospital desta Vila.

As primeiras edições realizaram-se no mês de Agosto, mas mais tarde viriam a fixar-se no mês de Setembro, enraizando-se na gíria popular a expressão “Festas de Setembro”.

As festividades tinham lugar no Largo do Convento, onde eram vendidas flores, rifas e produtos agrícolas. Das Festas faziam parte a “Barraca de Chá”, o “Dancing” (cujo acesso era pago), sempre com a presença de espectáculos musicais com os artistas de renome da época, e estrelas da televisão e da rádio.

Estas festas viveram o seu tempo áureo nos anos 60, tendo ainda ocorrido algumas provas de “Gincana e Perícia automóvel”.

Depois de 1974 ainda se realizaram algumas vezes, até 1989, mas já sem o brilho e a adesão de outros tempos.

Pelo ano de 1986 começaram a realizar-se anualmente as Semanas Culturais, primeiro organizadas em exclusivo pelo GETAS e, posteriormente, em conjunto entre esta associação e a Câmara Municipal de Sardoal.

Em 1988, as Festas foram reintegradas no genuíno espírito religioso com que haviam sido idealizadas inicialmente.