O Sardoal dispõe de um património religioso pautado por uma monumentalidade rara e bela, e pela devoção das suas gentes. O cenário de fé e tradição é vivido num ambiente especial.
Na Quinta-feira Santa, à noite, sai da Igreja da Misericórdia a Procissão do Senhor da Misericórdia ou “Procissão dos Fogaréus”, com o Sermão do Mandato na Igreja de Santa Maria da Caridade, a cargo da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia, cujos Irmãos, envergando opas negras, nela se integram.
Desde 1997 que, durante a procissão, a eletricidade da rede pública é desligada, sendo esta apenas iluminada pela luz de velas, archotes e lanternas, que permite aos participantes, situarem-se no tempo em que não existia iluminação pública na Vila de Sardoal.
A Vila prepara-se, especialmente para esta Procissão, iluminando com pequenas lanternas as janelas, varandas e muros ao longo do percurso.
A centenária Filarmónica União Sardoalense acompanha a Procissão, ao compasso das marchas fúnebres, o que confere um ambiente místico à procissão.
Os irmãos da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia envergam os painéis com imagens que representam cenas da Paixão de Cristo.
Celebra-se no 2º Domingo depois da Páscoa. Trata-se de uma antiga devoção das gentes do Sardoal e arredores, hoje um pouco esquecida. Segundo a tradição, a Imagem do Senhor dos Remédios esteve, inicialmente no interior do Convento de Santa Maria da Caridade, vindo depois a ser construída a Capela, do lado direito da Igreja de Santa Maria da Caridade, com entrada por debaixo da galilé.
Considerada única no país, a Semana Santa do Sardoal apresente todos os anos igrejas e capelas enfeitadas com pétalas de flores, verduras e outros acessórios, com temas simbólicos alusivos à Semana Santa e Páscoa.
Entre a Quinta-feira Santa e o Domingo de Páscoa grupos de moradores, várias entidades e associações colaboram na elaboração de tapetes de flores que são, depois, colocados no chão das Igrejas e Capelas da Vila (igreja da Misericórdia e Convento Santa Maria da Caridade e Capelas: Senhor dos Remédios, Sant'Ana, Santa Catarina, Nossa Senhora do Carmo, S. Sebastião e Espírito Santo).
A Santa Casa da Misericórdia de Sardoal também participa nesta tradição secular, promovendo a elaboração de um tapete de flores na Igreja de Santa Maria da Caridade, para o qual contribui o trabalho e dedicação dos utentes e colaboradores da isntituição.
As Festas de Santa Maria da Caridade tiveram início em 1924, por iniciativa da Mesa da Santa Casa da Misericórdia de Sardoal, tratando-se de um festejo cujo fim era o de arranjar receita para o Hospital desta Vila.
As primeiras edições realizaram-se no mês de Agosto, mas mais tarde viriam a fixar-se no mês de Setembro, enraizando-se na gíria popular a expressão “Festas de Setembro”.
As festividades tinham lugar no Largo do Convento, onde eram vendidas flores, rifas e produtos agrícolas. Das Festas faziam parte a “Barraca de Chá”, o “Dancing” (cujo acesso era pago), sempre com a presença de espectáculos musicais com os artistas de renome da época, e estrelas da televisão e da rádio.
Estas festas viveram o seu tempo áureo nos anos 60, tendo ainda ocorrido algumas provas de “Gincana e Perícia automóvel”.
Depois de 1974 ainda se realizaram algumas vezes, até 1989, mas já sem o brilho e a adesão de outros tempos.
Pelo ano de 1986 começaram a realizar-se anualmente as Semanas Culturais, primeiro organizadas em exclusivo pelo GETAS e, posteriormente, em conjunto entre esta associação e a Câmara Municipal de Sardoal.