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Albergaria

     

    Não existindo documentos que possibilitem localizar rigorosamente no tempo a origem da confraria e socorrendo-se do que, sobre o assunto escreveu Jacinto Serrão da Mota a partir de 1754, pode-se concluir que a mais antiga instituição de assistência pública seria a Albergaria de Lourenço Annes da Vide e sua mulher Clara Pires, já existente, pelo menos, no ano de 1336, reinado de D. Afonso IV.

     Aquela Albergaria tinha por missão e encargo prestar assistência e apoio aos viajantes, nas suas caminhadas, dispensando, gratuitamente, cama, lume, sal e água potável, uma refeição quente…

 

   Tal como quase sempre sucede, infelizmente, a muitas obras de carácter pio ou caritativo, transmitidas por doação, os herdeiros-descendentes daqueles beneméritos fundadores da albergaria de Sardoal foram esquecendo, pouco a pouco, as obrigações testamentadas pelos seus antecessores.

   Nessas circunstâncias, o Rei D. Duarte resolveu por bem cancelar a fruição indevida dos rendimentos legados para aquele fim tão piedoso, e deles fez mercê a Martim Vaz, seu escrivão da Câmara, com a obrigação estrita de este respeitar os sufrágios dos beneméritos-fundadores.

Confraria

     

    Quanto à confraria principiou na caritativa reunião de alguns homens devotos e de posses, que formaram uma casa onde agasalhavam os peregrinos que chegavam ao Sardoal.

     A estes se juntaram outras pessoas, levadas, pela mesma caridade e concorrendo com as suas esmolas compraram uma pequena casa no mesmo lugar onde hoje existe a Igreja da Misericórdia, donde nasceu a confraria a que chamaram de Nossa Senhora ou de Santa Maria.

     Com este fervor piedoso ali eram assistidos os pobres, tratados os enfermos e se remediavam alguns necessitados para o que chegavam as limitadas rendas.

     Não só os confrades mas muitas outras pessoas que morriam foram deixando à confraria muitas esmolas e bens de raiz que com o tempo possibilitou a compra de outras casas contíguas ao hospital.

     Encontrando-se em Roma, Nuno Vaz, Cavaleiro natural desta Vila, de lá enviou uma Bula de Indulgências, em 1552, concedida aos confrades de Santa Maria do Hospital.

Assim durou esta pia congregação em nome de confraria por alguns anos e depois com o nome de Irmandade.

Fundação

     

    Dr. Giraldo Costa no seu esboço chorográphico do Sardoal, publicado em 1882 no Dicionário Popular, refere que a Misericórdia teve o seu compromisso confirmado por Bula do Papa Inocêncio VI, dada em 1554.

     No interrogatório do Bispo do Algarve, respondido pelo Vigário do Sardoal em 4 de Maio de 1758, referindo este acerca da Misericórdia:

“... e continuando assim se fez uma confraria com o seu compromisso, que foi confirmado pelo Senhor Rei D. João II, concedendo-lhe a isenção de que nenhuma justiça lhe pudesse tomar contas, a qual confraria se governou por provedor, escrivão e mordomo, conforme ao dito seu compromisso.

     Depois pela sucessão dos tempos se veio a erigir em Casa da Misericórdia, […]"


     Pode-se concluir, em face dos documentos existentes, que os antecedentes da Irmandade da Misericórdia foram a Albergaria e a Confraria, e que em meados do séc. XVI se terá constituído a Irmandade com Bula dada pelo Papa Inocêncio VI.

O Hospital da Misericórdia

         

     O Hospital da Misericórdia funcionou até à extinção das Ordens Religiosas, por Decreto de Joaquim Augusto de Aguiar, de 1834, numas casas anexas à Igreja da Misericórdia. Nesse ano, foi mudado para o Mosteiro de Nossa Senhora da Caridade.

     D. Francisco Manuel de Mendonça, sendo Provedor da Misericórdia, aquando da transferência do Hospital, comprou a cerca contígua ao mesmo, tendo igualmente feito à sua custa as obras de adaptação do Convento a Hospital.

   As despesas de funcionamento do Hospital foram durante muitos anos suportadas com os rendimentos da Santa Casa da Misericórdia e donativos ou legados de muitos benfeitores de que se destacaram ainda quando o hospital funcionava junto da Igreja da Misericórdia.

     Após alguns anos em que esteve votado ao abandono, quase em ruínas o hospital sofreu grandes obras, por volta de 1940, que o transformaram por completo num higiénico e modelar estabelecimento sanitário, dotado dos mais modernos utensílios clínicos cirúrgicos.

    Com a revolução do 25 de Abril o Hospital passou a ser administrado pelo Estado, vindo a encerrar no princípio da década de 80, passando os doentes do Concelho de Sardoal a serem encaminhados para o Hospital Distrital de Abrantes.

Dos Anos 80 À Atualidade

    

     Terminado o período em que a Santa Casa da Misericórdia de Sardoal mantinha como atividade principal a "atividade Hospitalar", foi necessário avançar para outras Respostas, sempre dentro do mesmo espírito que lhe dera projeção e a tornaram parceiro importante e de presença obrigatória em todos os momentos em que se analisa a “problemática social”.

     Neste sentido, a Santa Casa da Misericórdia de Sardoal inaugurou a 28 de setembro de 1980 o Centro de Dia num edifício nas “ruas velhas” do Sardoal, atual sede da Filarmónica União Sardoalense.

   

     Nesse mesmo ano, foi também iniciado a construção do atual Bairro da Misericórdia, composto por 6 blocos habitacionais.

     Nessa mesma década, devido às crescentes necessidades de carácter social foi necessário avançar para outras Respostas Sociais.

     Desta forma, nasceu o projeto de construção do Centro de Santa Maria da Caridade em 1988. Para esta obra foi utilizado o espaço onde estava sediado o Cineteatro Gil Vicente, também pertença à SCMS (apresentava grande necessidades de obras) e uma parte do edifício do antigo Hospital, contando-se com uma grande mobilização da comunidade para a sua construção, o qual foi inaugurado em 1994.

    Este espaço concentrou as Respostas Sociais de Lar/ERPI, Centro de Dia e Serviço de Apoio Domiciliário no mesmo edifício.

    Em virtude da Resposta Social de Centro de Dia ter sido deslocalizada para o Centro de Santa Maria da Caridade, em 1998 foi inaugurada a Creche/Jardim de Infância da Misericórdia, a qual funcionou até 2020.


    Com o aumento da procura da resposta social de ERPI, em 2009 foi inaugurado a Unidade de Apartamentos Lúcio Serras Pereira, na Rua Outeiro da Velha, a qual tinha capacidade para 13 Utentes. Devido às grandes limitações que o Centro de Santa Maria da Caridade apresentava para concentrar todas as respostas sociais, em 2015 foi inaugurado o Centro de Dia Senhor Jesus dos Remédios.

    Fruto da sua inviabilidade económica, a Unidade de Apartamentos Lúcio Serras Pereira, veio a encerrar em fevereiro de 2024, tendo sido deslocados os utentes para o Centro Senhor Jesus dos Remédios, que havia sofrido obras de requalificação para implementação de ERPI.