Os seigan são oratórios em forma de capela com pinturas no interior (normalmente a Virgem), são fechados com meias portas e encimados por frontão, habitualmente em forma triangular.
O Seigan do Convento do Sardoal segue a tipologia comum destas peças. Este oratório em particular enquadra uma imagem muito bela da Virgem Maria com o Menino Jesus nos braços.
É uma pintura a óleo sobre uma lâmina de cobre, uma abordagem atenta e cotejada com obras similares permite-nos afirmar ser feitura europeia. O estilo é Maneirista. Apresenta um fundo uniforme de cor escura sem presença de qualquer elemento, evidenciando unicamente a imagem religiosa: a Virgem é representada com o Menino Jesus ao Colo.
A estrutura do Seigan é de madeira e emoldura a pintura. Toda a superfície se encontra revestida com laca negra (uruxi), e sobre esta, uma aplicação de maqui-é (é-pintura) a ouro, prata e outros metais não preciosos, e incrustação de elementos de madrepérola.
Os temas utilizados no programa decorativo neste oratório, quer no seu exterior como no interior, são inspirados na natureza; aí encontramos composições vegetalistas, florais e arbóreas.
No exterior de ambas as portas, dois pares de pombas voam entre as flores e os frutos representados. O exterior do volante esquerdo está decorado com cerejeira do Japão (símbolo de pureza e simplicidade). O interior do mesmo volante apresenta-nos ramagens de cameleiras ou japoneiras em floração. No exterior do volante direito aparece representada a laranjeira tachibana, carregada de frutos (símbolo de longevidade). O interior do mesmo volante reproduz o bordo do Japão.
A circunscrever as formas estruturais e a emoldurar os espaços reservados, encontramos enxaquetados, linhas ondulantes, gavinhas estilizadas, formas em ziguezague e Dentes de Serra.
O frontão em forma triangular ostenta no centro o símbolo Inaciano. Envolvem-no ramagens de citrinos e molduras nas mesmas formulações já referidas.
No centro, observa-se a abreviatura do santo nome de Jesus (identidade da Companhia de Jesus), ao alto ergue-se a cruz e sob a mesma os três cravos da Paixão que trespassam um coração. Esta divisa é envolvida por um resplendedor luminoso e irradiante.
As várias ferragens, dobradiças e fecho são em cobre dourado. Os ornamentos decorativos de tipo floral são gravados sobre o metal.
O Oratório foi doado, a 7 de Setembro de 1670, por Dona Jerónima de Parada, viúva de Gaspar de Sousa Lacerda, que se encontra sepultada aos pés do altar.